Controle de fósforo em pacientes renais é destaque em congresso regional

 

Os principais problemas causados pelo excesso de fósforo no sangue, a importância de controlá-lo e o que pode ser feito para amenizar os efeitos desse micronutriente no organismo dos pacientes com doença renal em diálise.

 

Esses foram alguns dos temas tratados na miniconferência “Controle Dietético do Fósforo em Terapias Dialíticas”, realizada pela nutricionista Cristina Martins durante o III Congresso Sul Brasileiro de Nefrologia, que aconteceu em Blumenau (SC) entre os dias 22 e 24 de outubro.

 

Durante o evento, a diretora geral do Instituto Cristina Martins de Educação em Saúde destacou que, já no início da doença renal crônica, os pacientes apresentam deficiência da vitamina D, que é ativada pelos rins normais. “Ao mesmo tempo, com a diminuição da função renal, ocorre o acúmulo de fósforo no sangue. Esses problemas podem levar a uma consequência que aumenta, significativamente, o risco de morte dos pacientes. É o hiperparatireoidismo secundário”, explica.

 

A doença causa vários problemas ao paciente, como disfunções cardiovasculares, endócrinas, nervosas imunológicas e cutâneas. Além de contribuir para o aparecimento da osteodisfrofia renal, doença óssea que ocorre quando os rins não mantêm os níveis apropriados de fósforo e cálcio no sangue. 

 

Como forma de amenizar as consequências da doença, Martins, que também é coordenadora do setor de nutrição da Fundação Pró-Renal Brasil, defendeu o uso da vitamina D. Porém, lembrou os efeitos colaterais que podem surgir com uso dessa vitamina. “O principal deles é a hipercalcemia, que é a elevação do nível de cálcio no sangue”, informa.

 

Ao comentar sobre o fósforo alimentar, a nutricionista destacou os alimentos ricos nesse micronutriente, que devem ser evitados pelos pacientes renais em diálise. Entre eles, estão leite e substitutos, frutas secas, gema do ovo, leguminosas e oleaginosas, sementes e farelos, chocolate, cerveja e vinho, refrigerantes colas e produtos industrializados, como requeijão.

 

“Ao considerarmos a dieta do paciente renal, devemos enfatizar a importância dele selecionar alimentos com a menor relação fósforo-proteína. É ideal conhecermos os hábitos alimentares dos pacientes. Para alcançar o objetivo de restringir fósforo na dieta, o paciente renal deve evitar mudanças drásticas em seus hábitos alimentares e no seu estilo de vida”, afirma.

 

Medicamentos - Durante a miniconferência, Martins referiu-se ao uso de quelantes de fósforo. Segundo ela, esses medicamentos também contribuem para controlar o hiperparatireoidismo, a osteodisfrofia renal e reduzir as calcificações vasculares.

 

“O quelante de fósforo é um medicamento que se junta ao fósforo da alimentação, no intestino, e evita que ele seja absorvido pelo corpo. Porém, o sucesso depende da habilidade do paciente em entender e aderir à dieta restrita em fósforo e ao uso do quelante”, comenta.

 

Em relação às doses de quelante, que devem ser ingeridas pelos pacientes, a nutricionista disse que elas dependem da quantidade ingerida de fósforo, proveniente dos alimentos. Segundo Martins, a quantidade de fósforo que um quelante adere pode ser alterada de acordo com o tipo da dieta, as interações com outros medicamentos ou nutrientes e os horários em que o quelante é usado.

 

“O quelante de fósforo deve ser tomado em todas as refeições e lanches. Para dar tempo do medicamento se grudar no fósforo da comida, é essencial que seja tomado junto com as refeições”, acrescenta.

 

Educação – No evento, Martins ainda ressaltou a necessidade do profissional trabalhar com a educação e o monitoramento constante do paciente para que o controle do fósforo realmente ocorra e o hiperparatireoidismo seja evitado.

 

“É nossa função educar e monitorar se o paciente está fazendo o tratamento de forma adequada. Todas as estratégias educacionais devem ser intensificadas e continuamente repetidas para esse objetivo”, diz.

 

Ela lembrou que o nutricionista e toda a equipe profissional têm a tarefa de conscientizar e educar o paciente sobre o assunto. “Não existe maneira de controlar o fósforo sérico se o paciente não aprender que ele tem que se automedicar. Pois é ele quem sabe quando e quanto de fósforo está ingerido”, conclui a nutricionista.

 

Por André Franco


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