Pessoas obesas em hemodiálise vivem mais

A obesidade melhora a sobrevida do paciente que faz hemodiálise. Com esta afirmativa, a nutricionista Cristina Martins roubou a atenção e gerou surpresa entre profissionais da saúde e estudantes que participaram do II Encontro de Nutrição Clínica, promovido pelo Hospital Pilar. O evento aconteceu no Hotel Radisson, em Curitiba, na sexta-feira (18).

Por meio de várias pesquisas nacionais e internacionais, a coordenadora do Setor de Nutrição da Clínica de Doenças Renais e da Fundação Pró-Renal Brasil demonstrou que, entre os pacientes com doença renal crônica, diminui o risco de vida conforme sobe o Índice de Massa Corporal (IMC). “Todos os estudos internacionais, que envolveram um grande número de doentes, indicam que o indivíduo obeso, que faz hemodiálise, morre menos. Isso é diferente do que acontece com a população normal”, explicou.

Martins lembrou que, até há pouco tempo, acreditava-se que para qualquer pessoa, inclusive aquelas com insuficiência renal crônica fazendo diálise, não seria bom o ganho ou o excesso de peso. “Hoje, sabemos que o excesso de peso faz a diferença no tratamento de uma pessoa com doença renal crônica. Os estudos apontam que os indivíduos com maior apetite e também aqueles obesos sobrevivem mais tempo ao tratamento”, afirmou.

Durante sua palestra sobre a relação entre o peso e a mortalidade de pacientes em hemodiálise, a nutricionista enfatizou que a desnutrição é um dos grandes problemas para as pessoas com doença renal crônica. “A desnutrição envolve vários fatores de risco. Os indivíduos desnutridos correm risco de ter mais complicações. Por isso, devemos dar uma atenção especial à nutrição desses pacientes. A perda de peso, por menor que seja, é um grande risco para a vida dessas pessoas. Porém, mesmo comparados às pessoas com peso normal, ou seja, não abaixo do peso, aqueles com excesso vivem mais”, acrescentou.

Segundo a nutricionista, a maior causa de morte dos pacientes renais crônicos é cardiovascular. “Uma das explicações para a obesidade ser protetora da mortalidade dos pacientes em hemodiálise pode ser que aqueles, que se encontram acima do peso, comem mais. Tanto em quantidade como em qualidade. A vantagem pode estar na maior ingestão de nutrientes antioxidantes. E as calorias adicionais podem ajudar na sobrevida a uma enfermidade devastadora”, disse.

Ao afirmar que faltam esclarecimentos para explicar o porquê dos obesos em hemodiálise viverem mais, Martins lembrou que o procedimento elimina muitos nutrientes corporais. “Além disso, a hemodiálise provoca uma série de respostas orgânicas negativas, como o processo inflamatório crônico. Esses fatores, associados aos efeitos metabólicos da própria doença renal, debilitam significativamente o organismo”, concluiu.

Por André Franco

A nutricionista Cristina Martins afirma que indivíduos obesos, que fazem hemodiálise, morrem menos

A nutricionista Cristina Martins afirma que indivíduos obesos, que fazem hemodiálise, morrem menos

 

 

 

 

 


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