Nutricionistas precisam se superar em conhecimento

Nesta segunda-feira (31), comemora-se o Dia do Nutricionista. Apesar dos avanços obtidos pela categoria nos últimos anos, a data serve para refletir sobre as dificuldades, os problemas e os desafios que os nutricionistas têm pela frente.

A doutora em ciências médicas, nutricionista Cristina Martins, ressalta que, quando o assunto é desafio, não faltam motivos para que o nutricionista cresça enquanto profissional. “Infelizmente, o nutricionista acha que os demais profissionais das outras áreas da saúde sabem mais sobre nutrição do que ele próprio. E isso não é verdade! Como em todas as profissões, há os mais e os menos preparados. Porém, esse complexo de inferioridade do nutricionista é um mal que precisa ser superado”, afirma.

Para a diretora do Instituto Cristina Martins de Educação em Saúde, com sede em Curitiba, os nutricionistas precisam se valorizar mais. Uma saída para isso é investir em conhecimento. “Se o profissional traz esse sentimento de inferioridade, um maior conhecimento faz com que se sinta mais confiante e seguro. Por isso, é importante que o nutricionista escolha uma área de atuação e se especialize nela. O profissional não pode ficar satisfeito com o que apenas aprendeu na universidade. Ele precisa ser um autodidata e fazer a diferença”, diz.

De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), até o segundo trimestre deste ano, havia no Brasil 60,5 mil profissionais de nutrição, entre os regularizados e aqueles com registro provisório. A estatística indica 21% a mais do que no primeiro trimestre, quando eram 58,4 mil profissionais.
 
“Todo ano, o mercado recebe novos profissionais provenientes de instituições de ensino dos mais diferentes níveis. Todos em busca de emprego. Será que estão preparados para oferecer um serviço de qualidade e serem mais respeitados enquanto profissionais?”, questiona a nutricionista.

Diante desse impasse, Martins defende o nivelamento dos novos profissionais por meio de uma prova, como faz a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A classe precisa passar por esse nivelamento básico. Isso refletirá na qualidade dos serviços prestados. E o profissional será mais valorizado”, comenta.

Superação – Durante a graduação, os nutricionistas precisam ser preparados para serem empreendedores. A ideia defendida por Martins traduz a sua insatisfação com a falta de ousadia entre os profissionais que se acomodam na realização de atividades menos desafiadoras.

“A maioria dos nutricionistas quer a mesma coisa: ter um emprego público ou ser professor. O profissional não é preparado para ter mais ambição e se sentir seguro em desafios maiores. Os nutricionistas não podem só ter empregos. Eles também precisam gerar empregos, ou seja, ser empreendedores. Todo mundo abre empresas de alimentos, mas somente uma pequena parcela dos nutricionistas entra nesse mercado. Eles até acabam trabalhando nessas empresas, mas como funcionários. É preciso ter mais ousadia e iniciativa. Pensar grande”, defende.

Quanto aos avanços da profissão, a nutricionista confirma que muitos obstáculos já foram superados. No aspecto legal, as responsabilidades técnicas foram ampliadas. “A legislação fortaleceu a profissão. Hoje, o nutricionista é responsável por muito mais atividades que antes. O leque de opções é maior. A profissão é mais conhecida e está presente em várias áreas”, comenta.

No Dia do Nutricionista, a mensagem que fica é “Superar-se sempre”. Para isso, o investimento no aprendizado a longo prazo é a principal recomendação para os profissionais. A lição não é nada original, porém é indispensável nos dias de hoje. “É preciso acreditar mais em si. Isso é possível quando se tem conhecimento. O aprendizado é contínuo. E o que se aprende dura para sempre”, comemora.

Por André Franco


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